Carrie, a estranha, e eu.

Ok, voltei. Não vou entrar muito no assunto, mas aconteceram alguns ~problemas técnicos~ que me impediram de publicar posts novos no blog na última semana, mas estamos de volta, eeeeê

Quero falar da minha experiência com o livro Carrie, do Stephen King. Eu andava procurando esse título por um bom tempo e, no mês passado, tive a chance de ler. Já tinha assistido ao filme, então sabia como era o final, mas ainda estava esperando morrer de emoções com a leitura.

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O livro intercala os acontecimentos cronológicos com trechos de revistas, estudos científicos, matérias sobre a grande tragédia final. Pra quem não viu o filme, esse detalhe pode gerar muita curiosidade sobre os rumos que os poderes sobrenaturais de Carrie vão tomar e como isso afetará a cidade.

A mãe de Carrie é uma pessoa extremamente religiosa, tanto que ela acha que a própria igreja que frequentava sofre influências satânicas. É uma pessoa que se sente superior à própria tradição e se isola completamente, criando novas ideias que ela julga corretas de verdade. A falta de contato afetivo com outras pessoas acaba acentuando essa característica, e tudo isso é repassado pra Carrie.

Carrie segue as ordens da mãe por obrigação, porque o que ela queria era só ser uma adolescente normal, ter amigos, aquelas coisas todas que fazem a gente se sentir feliz e aceita nessa fase. O problema era que se ela fizesse as vontades da mãe, sofria com o bullying na escola; se ela escolhesse ser como as colegas, a violência era em casa. Nota-se que isso gera um sentimento bem confuso de amor e ódio em relação à mãe.

A história me interessa demais, porque me identifico com a parte realista da coisa… Problemas com religiosidade, bullying no colégio, dificuldade de socialização: check! Eu não sei como Stephen King fez pra expressar de uma forma tão correta o que acontece com um adolescente inseguro que é alvo de maldades na escola. No que me identifiquei:

  • A maioria das crianças e adolescentes realmente não se importa com o que está por trás de uma pessoa “estranha”, o que a torna dessa forma, o que ela precisa suportar por causa disso, como ela lida com a situação. Simplesmente, é engraçado, “vamos zoar”.
  • Alguns professores são mesmo como miss Desjardin. Até parecem se importar com a situação, mas não se esforçam o suficiente pra compreender o que acontece e, no fundo, preferiam não ter que lidar com um aluno problemático.
  • Depois de alguns anos de perseguição, a tristeza vira raiva, e ela se acumula de uma forma que pode ser nociva de alguma forma na vida desse aluno perseguido.
  • Terror psicológico é extremamente difícil de suportar. Senti que o ressentimento de Carrie é bem forte a esse respeito.

É interessante como as experiências pessoais podem transformar a forma como entendemos uma obra. Muita gente fala de Carrie como uma maluca completa que matou todo mundo no colégio. Mas meu envolvimento com essa personagem foi diferente, não foi uma leitura extremamente confortável. Fui desenhar a minha versão dela e não consegui pensar na cena do sangue de porco, mas na cena antes do baile: Carrie bem arrumada, conversando com as pessoas, criando confiança de novo…

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A minha versão da Carrie

Não sei se me apeguei demais à personagem, mas achei que o livro foi curto, senti falta de mais relatos sobre as experiências e pensamentos de Carrie. As coisas correram muito rápido e a tragédia é muito bem descrita – tem várias páginas sobre isso, que descrevem a forma como as pessoas morrem. Claro, isso é bem Stephen King, e o livro continua sendo ótimo, mas eu não reclamaria se tivesse mais algumas páginas pra entender bem a personalidade e comportamento de Carrie.

3 livros de autores clássicos que você precisa ler!

Revendo minha lista de livros, notei que boa parte das minhas leituras é de autores clássicos. Então decidi compartilhar um pouco disso com vocês, e vou começar com três sugestões. Tenho dificuldade de escolher o que mais gosto, então não estão em ordem de preferência:

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Machado de Assis tem um lugar especial no meu coração. Apesar de ser um escritor do século retrasado, sempre sinto que o senso crítico e o humor dele são muito atuais. Memórias póstumas de Brás Cubas tem tudo isso: é um livro engraçado e completamente maluco.

Brás Cubas é um cara que já morreu e agora volta pra contar a própria história. É meio que uma crise existencial post mortem, quando Cubas olha pra trás e analisa se realmente valeu a pena tudo que ele viveu, todas as imposições da sociedade. Mas não quero dizer que é um drama cheio de lição de moral. Não! O melhor é que ele faz tudo isso de uma maneira bem irônica, contando piada, rindo dos próprios infortúnios e da hipocrisia dos outros até diante da morte.

Ainda, Machado de Assis tinha uma imaginação muito fértil. Tem um trecho em que o morto relata os delírios antes da morte, e fiquei feliz por me sentir menos estranha depois de ler uma coisa tão nonsense.

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Brás Cubas montado num hipopótamo indo encontrar uma espécie de “mãe natureza”? Tu é doido, Machado?

Algumas pessoas têm dificuldade de entender esse tipo de livro por conta da linguagem usada. Nesse caso, eu deixo uma dica: assistam ao filme que fizeram com base no título. Assim, dá pra ficar mais orientado durante a história. É uma ideia pra quem se bate demais com o estilo daquela época. Eu acho o filme super gracinha, ele é bem parecido com a história. Tem disponível no YouTube aqui.

O amor nos tempos do cólera

Esse foi o primeiro que li do Gabriel García Márquez, e foi um ótimo começo. É uma história de amor? É. Quando eu li a sinopse, parecia uma história meio cansativa. No século XIX, um cara poeta, violinista, todo piegas apaixonado por uma moça que não podia ter. Mas foi só preconceito, coisa que tenho que perder em relação a livros românticos. Márquez se baseou na história dos próprios pais pra escrever o livro, o que é a coisa mais linda do mundo!

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Quando a gente é nova, às vezes esquece que a paixão não depende de idade, e esse livro fala sobre o amor desde a adolescência até a velhice de uma forma tão sensível, que eu me senti duplamente culpada pelos meus julgamentos sobre romance. Até porque o livro não é pura poesia – assim como Machado de Assis, Márquez também põe pitadas de humor que se encaixam perfeitamente entre os dramas. Além disso, tem um pouco do retrato da sociedade naquela época e, é claro, a situação da epidemia de cólera durante o século XIX.

Pra mim, foi uma leitura divertida e cheia de emoção, um daqueles livros que fazem a gente sentir dor no coração quando termina, de saudade dos personagens. Ah, e o final é incrível! 😉

1984

Eu sempre ouvi muitas referências desse livro do George Orwell. Na verdade, em tempos de Big Brother, é difícil quem nunca tenha ouvido, afinal, é em 1984 que aparece a ideia do Grande Irmão (mais complexa do que o simples voyeurismo que dá gás ao programa, mas ok). Geralmente eu leio clássicos mais antigos com bastante calma, porque gosto de entender bem as referências da época, mas 1984 foi uma loucura, li tudo de uma vez só.

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O livro fala de uma sociedade que vive numa ditadura, vigiados o tempo todo através das “teletelas” em suas casas, sem liberdade individual… Enfim, é a descrição do que pode ser um regime totalitário. O personagem principal, Winston, começa a fazer questionamentos sobre esse sistema e tenta encontrar uma solução pra escapar. Aí entramos em uma história de medo, dúvidas, romance, torturas, perseguição – um retrato bem realista da agonia que pode ser a vida de uma pessoa na situação de Winston.

Li 1984 quando estava começando a me interessar mais por política e, mesmo assim, não tive dificuldades pra entender o enredo. Mesmo assim, a minha sugestão é: antes de começar essa leitura, é bom entender a visão política de Orwell. É bem comum que as pessoas confundam a crítica que ele faz no livro, então, nada como se contextualizar antes de começar a leitura.

Dica de literatura sci-fi: Meia-Pele

Conheci o trabalho do autor Tony Bertauski por indicação do Pedro, um amigo que trabalha com tradução de livros. Como eu ando em uma fase mais ficção científica, a sugestão veio em boa hora! Comecei por Meia-Pele, a história de um tempo em que a medicina conseguiu consideráveis avanços com a criação dos biomites, células-tronco artificiais que podem substituir qualquer célula do corpo. Os biomites podem ser usados pra curar doenças e também pra melhorar características, como inteligência, memória e até aparência. Vou deixar a sinopse oficial aqui, porque quero falar mais sobre as questões sociais do livro:

Biomites são células-tronco artificiais, capazes de substituir qualquer célula em seu corpo. Chega de falências renais, espinhas lesadas ou doenças sanguíneas. Nada mais de câncer. Farmacêuticos se tornaram obsoletos. Com cada dose de biomites, nos tornamos mais fortes, ficamos mais inteligentes e mais bonitos. Ficamos melhores. Em que ponto deixamos de sermos humanos? Nix Richards quase morreu em um acidente de carro quando era pequeno. Biomites salvaram sua vida. Dez anos depois, ele não tem tanta sorte. As leis de meia-pele decretaram que alguém composto mais de 50% por biomites não é mais um ser humano. Meia-peles não têm direitos legais e terão seus biomites desligados. Não é considerado assassinato, só uma desativação. Cali Richards é a guardiã legal de Nix desde que seus pais morreram. Ela perdeu gente demais em sua vida pra deixar o governo levar Nix. Ela é uma engenheira nanobiométrica e vai descobrir como escondê-lo. Mas mesmo o brilhantismo pode sucumbir ante a pressão do sofrimento. E a tecnologia não é capaz de curar insanidade. Cali e Nix mantém uma ligação tênue com a realidade enquanto eludem um agente federal maníaco dedicado a salvar a humanidade do que ele chama de “A Praga dos Biomites”. 

meia pele

Durante todo o livro, acompanhamos uma tensão entre Cali e Marcus Anderson, o representante do governo sobre assuntos de meia-pele. Ela, completamente a favor da tecnologia; ele, um político extremamente conservador e orgulhoso de não ter um biomite no corpo. Esse tipo de ficção, em que existe uma discussão social a respeito de algum assunto, sempre gera aquela pergunta: qual é o lado certo? É interessante que o autor intercala os acontecimentos principais com pequenas histórias sobre a relação das pessoas com os biomites, o que ajuda na análise e quebra aquela mania ingênua que temos de querer separar heróis dos vilões. Só que Meia-Pele não é um livro estilo “lição de moral”, mas sim uma reflexão a respeito do assunto que é diferente de acordo com a visão de cada leitor.

Em vez disso, percorri (e terminei) a leitura com algumas perguntas:

  • Vale a pena usar biomites?
  • Uma pessoa composta por 50% ou mais de biomites é um ser humano ou uma máquina?
  • O governo poderia fazer os “desligamentos”, independente da escolha da pessoa?
  • Seria certo o governo o governo criar uma lei desse tipo depois de muitos anos após a descoberta dos biomites?
  • Uma pessoa biomite-free e declaradamente contra essa tecnologia é a mais indicada pra coordenar a área dos desligamentos?
  • Seriam os biomites uma espécie de “complexo de deus” ou só mais um grande avanço da medicina?

Enfim, são vários questionamentos que surgem e que provavelmente vão continuar por alguns dias, como é o meu caso. Tem um trecho, durante a conversa de Marcus e um médico, que deixa essa discussão bem visível:

(médico) – “Nós não chamamos eles de meia-peles”.

(marcus) – “Eles são 50%. O que mais eles são?”

– “Eles são seres humanos, sr. Anderson. Humanos melhorados por biomites que, de outra maneira, não estariam vivos.”

– “Quer você chame de meia-pele ou não, não muda o que são. Não muda o fato de que estão em violação de uma lei  federal que diz que nenhum ser humano pode ser composto por mais de 50% de reposições por biomites, doutor. Essa é a lei e estou aplicando-a (…) Você acha que está salvando eles?” Marcus perguntou. “Só está adiando suas mortes”

– “A medicina tem feito isso por séculos”.

Toda essa problematização não é novidade na medicina, porque lida principalmente com a liberdade de cada indivíduo, com diferentes visões políticas, com psicologia e com a religião. Quem esteve no planeta Terra nos últimos tempos, sabe a quantidade de situações semelhantes que têm gerado milhões de tretas entre extremistas – é inevitável. Aliás, Meia-Pele é um tipo de livro perfeito pra quem tem dificuldade de compreender que questões sociais não podem ser encaixadas só em duas categorias: certo ou errado. É importante ter isso em mente, principalmente antes de começar aquela briguinha com o amigo no Facebook hahahaha

Como eu já disse nessa tag e nessa, sou completamente fã de livros que nos dão essa liberdade de conclusões e de personagens com personalidade complexa. Então, pra quem compartilha esse gosto, Meia-Pele também vai ser uma leitura bem fluida e agradável. Sempre fico com receio de dar spoiler e estragar a leitura de todo mundo, então só vou dizer que gostei demais da história, me surpreendi muito com algumas partes (sério, muito) e que vale a pena até pra quem não é muito acostumado com esse gênero.

Pra quem quiser ler, aí vão três links pra comprar o e-book:

Amazon Google Play Livraria Cultura

 

Tag: 7 pecados capitais literários

Stack Of Books

1.Ganância – Qual o livro mais caro e o mais barato que você tem na sua biblioteca?
Como a vida fez de mim uma pessoa de humanas, não tenho toda a verba que queria pra gastar com livros. Por isso, o mais caro que tenho foi um presente, é o “Contos de imaginação e mistério”, do Edgar Allan Poe, que foi mais de 100 reais. Aliás, casei com o cara que me deu esse presente AHAHA O mais barato foi uma edição de 4 reais do Quincas Borba, Machado de Assis, que achei num sebo.

2. Ira – Com qual autor você tem uma relação de amor e ódio?
Acho que é Agatha Christie. Sou apaixonada por essa autora, mas ao mesmo tempo em que sou super fã e nunca perco a chance de comprar mais um livro dela, já me revoltei completamente com algumas histórias que parecem muito rasas e deixam a gente descobrir tudo rápido demais. Não vou nem comentar sobre aquele em que ela conta o final da trama no título do livro!

3. Gula – Qual livro você devorou, sem vergonha nenhuma?
“À espera de um milagre” do Stephen King. Eu já tinha amado o filme e depois consegui o livro. Os dois são lindos! A história é cheia de emoção, daquelas que a gente não consegue parar de ler. Logo falo sobre ele aqui 😉

4. Preguiça – Qual livro você tem medo de iniciar por pura preguiça?
Eu tenho vontade de ler “Os miseráveis”, mas não tomei coragem ainda, porque o livro é ENORME. Eu tenho pena de largar livros pela metade, então tenho medo de não gostar da narrativa e ficar empacada nele por séculos.

5. Orgulho – Um livro que deixou você orgulhoso por ter lido.
Não sou muito de me orgulhar por leitura, mas acho que tenho um título que se encaixa nessa resposta. Eu sempre fui preconceituosa com os livros do J. R. R. Tolkien, e acabei sendo convencida a ler “O Hobbit”. Eu li, gostei pra caramba e acho que posso me orgulhar por ter me empenhado pra quebrar o preconceito. Só uma pena que não me interessei antes, porque perdi os filmes no cinema. 😥

6. Luxúria – Quais atributos você acha atraente em um personagem?
Eu gosto de personagens como gosto dos meus amigos hahahah Aqueles com um bom senso crítico, analistas, reflexivos, esquisitos e com senso de humor. É difícil eu simpatizar com personagens muito populares, sempre fico mais interessada pelos malucos desequilibrados – a gente nunca sabe qual vai ser a reação deles!

7. Inveja – Qual livro você gostaria de receber de presente de alguém?
Oba! Antes de mais nada, só quero comentar, de forma completamente aleatória, que faço aniversário este mês. Com isso em mente, entendam que gostaria muito de ter qualquer livro da editora DarkSide Books. Qualquer. Um.


Um super abraço pra Camila do blog Livros e Séries , que me indicou pra responder essa tag. Já consigo me sentir mais parte desse universo blogueiro hahah ❤

 

Viagens da minha mente: Conversas sobre o universo, parte I

Saudações, terráqueos!

Após muita deliberação, reflexão e angústia, finalmente decidi sobre o que deveria falar em meu primeiro post no Blog do Sebo do Quati, e será sobre um assunto (ou uma coleção de assuntos interligados) que eu mais amo: O universo.

“Ah, nossa, mas tudo está no universo, dur”…
É, ficou mesmo meio vago.

Minha ideia é fazer uma série de postagens (uma por semana, provavelmente) sobre algo interessante relacionado ao nosso universo (no sentido espacial da palavra, hehe),  e então dar uma dica de livro/vídeo/série/jogo/site pra lá de doideira pra vocês se deliciarem após a leitura da postagem.
Bom, sem mais delongas, vamos à primeira conversa, e vamos falar sobre (tchãn tchãn tchãn tchãããn)…

A Escala de Kardashev

Vamos começar falando sobre o ilustre desconhecido (pelo menos por terras tupiniquins) do Sr. Kardashev, afinal ele dá nome à primeira conversa, então concluímos que ele é importante 😛

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Este é o Sr. Kardashev. Huuuum, e esses olhos azuis? Bonitão, né?

Nikolai Kardashev (russos, eu adoro russos) nasceu em Moscou, em 25 de Abril de 1932,e é um renomado doutor em astrofísica e matemática e atualmente vice-diretor do renomado Instituto de Pesquisa Espaciais da Rússia.

Em 1963, este simpático senhor (cujo sobrenome me lembra cadarço) estava “de boas” apontando uns radiotelescópios para um quasar denominado  CTA-102 numa das pioneiras tentativas de busca por vida fora da terra (quasares são os objetos que emitem mais energia em todo o universo), e então ele teve uma “sacada” genial para classificar as possíveis civilizações extraterrestres: Quanto maior o nível tecnológico de uma civilização, mais energia ela necessita gerar.

Baseado nesta premissa, Kardashev propôs que podemos medir e escalonar a tecnologia de uma civilização de acordo com a quantidade de energia que extrair/coletar, processar e utilizar.

A escala original previa três tipos de civilização, I, II e III, porém posteriormente foram adicionados o nível 0 e o nível IV, como verão abaixo:

Nível 0: Uma civilização no nível 0 ainda não domina todo o potencial energético de seu próprio planeta, porém já tem tecnologia suficiente para extrair energia de minérios, combustível fósseis, do sol ou mesmo do próprio átomo.

Esta civilização é capaz de construir propulsores e motores movidos por variados tipos de energia, como elétrica, química, nuclear ou eletromagnética, no entanto, ainda encontram dificuldades para se locomover pelo espaço com velocidade e segurança.

O grande problema desse tipo de civilização é que estão sujeitos a catástrofes maiores do que sua tecnologia é capaz de lidar, portanto, neste nível, sua tecnologia não consegue garantir sua sobrevivência.

Isto tudo soa muito familiar, não?
Obs.: Estamos aproximadamente no nível 0.72, até o fim dos próximos dois séculos deveremos estar no nível 1.

Exemplos deste tipo de civilização: A civilização humana atual.

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Óóóia nóis aí, 0.72 e tal…

 

Nível I: Uma civilização no nível I já seria capaz de aproveitar todo o potencial energético de seu planeta (no caso da terra, algo em torno de 1.74×1017 Watts).

Esta civilização já poderia alterar o clima conforme fosse conveniente, cessando terremotos, furacões, maremotos e possivelmente todas as catástrofes naturais.
Supõe-se que uma civilização deste nível também já teria tecnologia suficiente (mesmo que ainda rudimentar) para terraformar outros planetas (modificar suas características para torná-lo habitável).

Suas cidades se tornariam tão grandes que as bordas das maiores metrópoles chegariam umas nas outras, fundindo-as em superaglomerados e, posteriormente, numa ecumenópole (uma gigantesca cidade que englobaria todo o planeta numa só área urbana ininterrupta). Alimentos seriam cultivados em estruturas suspensas ou dentro dos oceanos, talvez mesmo em planetas próximos.

Também já possuiriam uma tecnologia que os permitiria viajar pelos planetas de seu sistema estelar de forma segura e relativamente rápida.

Exemplos deste tipo de civilização: Trantor, da série Fundação, de Isaac Asimov, Os Krell do Planeta Proibido, do Dr. Moebius.

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Uma cidade planetária: Trantor. Nada mal.

 

Nível II: Uma civilização de nível II seria capaz de aproveitar toda a energia proveniente de sua estrela ou estrelas (existem sistemas estelares com duas ou mais estrelas mas no caso do Sol, temos aproximadamente 3.86×1026 Watts).

Para capturar toda a energia proveniente de sua estrela, teoriza-se de que a melhor maneira seria construindo uma Esfera de Dyson, que basicamente seria uma estrutura (ou diversas estruturas menores) construída ao redor da estrela para coletar sua energia.

Neste nível, uma civilização já seria capaz de viajar livremente por seu sistema estelar e seus planetas já estariam todos colonizados (ou em vias de fazê-lo), poderiam inclusive viajar para sistemas planetários próximos.

Poderiam produzir novas formas orgânicas de vida, e também formas robóticas (sintéticas ou mesmo híbridas) autorrepliantes, que provavelmente seriam usadas para terraformar e colonizar planetas antes de se estabelecerem por lá, caso desejassem.

Exemplos deste tipo de civilização: A Federação dos Planetas Unidos, da série Jornada nas Estrelas, O território de Eelong na Série Pedragon.

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Concepção artística de uma esfera de Dyson.

 

Nível III: Uma civilização no nível III seria capaz de aproveitar toda a energia potencial de uma galáxia inteira (o número varia bastante de uma galáxia pra outra, mas a Via Láctea teria aproximadamente 1036 Watts).

Uma civilização que atingisse tal potência tecnológica já seria capaz de viajar por toda a galáxia, já teria dominado a energia Plank e viajaria pela galáxia impulsionada por ela.
Esta civilização provavelmente poderia ser destruída apenas pelo colapso do próprio universo.

Exemplos deste tipo de civilização: O Império Galáctico, da série Guerra nas Estrelas, A civilização misteriosa conhecida como A Cultura, dos livros de Iain M. Banks.

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A Estrela da morte… Não seria legal topar com uma dessas por aí, hein?

 

Nível IV: Uma civilização nesse nível teria o colossal poder de alterar as próprias estruturas do universo.

Estariam espalhados por diversas galáxias, e dentre as suas fontes de energia estariam quasares, buracos negros e núcleos de galáxias.

Uma civilização desta magnitude poderia talvez alterar até mesmo o espaço-tempo, a energia escura e a matéria escura.

Esta civilização poderia praticamente controlar todos os eventos dentro de seu universo e, possivelmente, poderiam inclusive criar novos universos e viajar entre eles.

Exemplos deste tipo de civilização: O Q Continuum, da série Jornada nas Estrelas, Os Priors, em House of Suns de Alistair Reynolds.

Bom, esse foi meu primeiro post, espero que tenham gostado.
Semana que vem teremos a parte II, onde continuarei desenvolvendo as ideias relativas as civilizações de acordo com a escala e previsões de Kardashev.
Para finalizar, um vídeo do mítico Michio Kaku falando sobre civilizações extraterrestres.

Por Bruno Baumler

Tag: hábitos de leitura (nêly)

Ando conhecendo vários blog lindos de literatura por aí (aliás, ainda quero fazer uma lista de indicação, porque vale a pena), e hoje vi a tag “hábitos de leitura” no blog Livros e Séries

Como sou empolgadíssima com tags, fui obrigada a participar hahaha Aí vai:

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1. Quando você lê ? Manhã, tarde, noite, o dia inteiro ou quando tem tempo ?
Geralmente, leio à noite, antes de dormir. Isso porque tenho trocentos hobbies e porque amo ler em um ambiente mais escurinho. Também gosto de ler no ônibus, mas nem sempre consigo fazer isso sem passar mal 😦

2. Você lê apenas um livro de cada vez ?
Sim! Sei que a maioria dos leitores lê dois, três livros de uma vez só, mas cheguei à conclusão de que comigo não funciona. Não por confundir as histórias, mas porque eu sempre acabo me desapaixonando por um dos dois e deixo o coitado de lado pra sempre. Então decidi vencer minha curiosidade e dar atenção especial pra um de cada vez.

3. Qual seu lugar favorito para ler ?
Não tenho lugares favoritos, mas situações favoritas. Sabe aqueles dias frios de tempestade bem louca, quando acaba a luz e a gente precisa acender uma vela? Melhor momento pra ler. Junto com um cafezinho bem quente ❤

4. O que você faz primeiro: lê o livro ou vê o filme ?
Eu não tenho muita paciência pra ver qualquer filme, mas sobra paciência pra ler até coisa que não gosto. Se eu puder, escolho o livro primeiro, porque não gosto de ser influenciada pela aparência dos personagens e cenários da versão cinematográfica.

5. Qual formato de livro você prefere? E-book, áudio-livro ou livro físico ?
Físico, porque é mais fácil de manusear. Mas tô lendo um livro digital pela primeira vez no reader do celular e percebi que tem suas vantagens também: é mais fácil pra ler deitada, não precisa de abajur à noite e, o principal, e-books são mais baratos!

6. Você tem um hábito exclusivo ao ler?
Quando leio um trecho muito reflexivo, gosto de fechar o livro e ficar pensando sobre aquilo. Pode ser uma análise de alguns minutos, mas às vezes fico dias pensando a respeito antes de retomar a leitura. Outra coisa que gosto de fazer é desenhar a minha versão dos personagens que mais gostei. Qualquer hora publico alguns aqui 😀

7. As capas de uma série tem que combinar ou não importa ?
Sou doida por design gráfico, então fico completamente pirada com aqueles box lindos e bem feitos. Precisa ter uma identidade, sim, precisa “combinar” com as continuações. Não sou muito fã de séries, mas se sobrasse dinheiro, compraria algumas só pela aparência hahahaha
E vocês, leitores? Têm hábitos de leitura aleatórios também? Quero saber tudo, compartilhem! hahah :3

O Brasil e os Videogames – Playtronic

Olá, amigos leitores! Como prometido no meu último post, hoje vou falar sobre as atividades da Playtronic em nossas terras tupiniquins.

Em 1990, não existia a representação oficial da Nintendo no Brasil. No nosso pais reinavam as máquinas chamadas “famiclones”, que nada mais eram que cópias quase idênticas ao NES original (Dynavision, Polystation e etc.), que contavam com a autorização da Nintendo, devido à Lei da Reserva de Mercado, que visava estimular o mercado no ramo da tecnologia da informação e a produção de eletrônicos no pais.

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Dynavision, o clássico famiclone da Dynacon

 

A SEGA já havia saído na frente com o Master System, lançado em 1989 pela Tectoy, e já era 1993. Foi então que com uma parceria entre a Estrela e a Gradiente, surgiu a Playtronic, e a Nintendo foi oficialmente representada no país. Inicialmente, em 1993, ela lançou aqui o Nintendinho (NES), o Gameboy e o Super Nintendo (SNES), e nos anos posteriores o fracassado Virtual Boy e o Nintendo 64.

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Uma propaganda da Playtronic na época do SNES

A Playtronic (junto com a Tectoy, sobre a qual falarei em outro post), concedeu pela primeira vez a oportunidade do público brasileiro jogar os jogos em nossa língua local, traduzindo inúmeros games para o português, incluindo Donkey Kong e os jogos da série Mario para os consoles de 8 e 16 bits.

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Super Mario World nacional

Eis que em 1996, a Estrela vendeu sua parte da Playtronic, tornando somente a Gradiente responsável pela representação da Nintendo no Brasil, e em 2003, por inúmeros motivos, foi deixado de se comercializar os consoles. Mesmo assim a Playtronic (a parte que foi vendida pela Estrela) ainda existe no país, mas não mais comercializando consoles e traduzindo jogos. Desde a saída da Gradiente do mercado de consoles nacional, a Nintendo carece de um bom representante no Brasil, tendo encerrado suas atividades aqui em 2015.

 

Bom, espero que tenham gostado! Em breve farei o Top 10 jogos do Mega Drive e apresentarei a Tectoy! Fiquem ligados e até próxima!